Serra do Mar

A Serra do Mar, com cerca de 1000 km de extensão e altitudes que variam de 1200 a 2200 metros acima do nível do mar, chama muito a atenção de curiosos e montanhistas sobre sua forma. Muitos a chamam de “a cordilheira brasileira“, devido sua característica de ser uma prolongada formação montanhosa que acompanha a costa do Atlântico desde o norte de Santa Catarina ao Rio de Janeiro, onde ela se alinha com a Serra da Mantiqueira que se prolonga até o Espírito Santo.

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Nesta região há a presença da Mata Atlântica. Essa paisagem sofreu grande degradação em consequência da forte ocupação humana, outro fator potencializador dos processos erosivos.

Em 3.150 km2, o maior parque de mata atlântica do País abriga mais espécies por hectare do que a Amazônia.

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Na corrida para chegar ao mar e ver o ano novo nascer com o pé na areia, milhares de paulistanos enfrentam horas de trânsito em estradas que descem por montanhas verdejantes, sem se dar conta de que estão atravessando uma das florestas mais ricas e ameaçadas do planeta. Seja qual for o caminho escolhido para chegar à praia, todos passam obrigatoriamente por um lugar: o Parque Estadual da Serra do Mar, maior unidade de conservação da mata atlântica no País.

 

UBATUBA

Ubatuba

 

E, seja qual for a praia escolhida, lá estará ele também, erguendo-se ao fundo como uma muralha, refrescando o ar, purificando as águas, preservando a biodiversidade e a paisagem selvagem que ainda caracteriza o litoral paulista. O parque completou 30 anos em 2007 com a saúde renovada pelo recém-concluído plano de manejo (documento que orienta a gestão e a implementação de áreas protegidas, publicado no fim de 2006). Gestores falam com otimismo sobre o futuro da serra, coisa rara entre unidades de conservação. “Nos 18 anos que estou aqui, nunca vi uma situação tão positiva”, diz o engenheiro florestal João Paulo Villani, diretor do Núcleo Santa Virgínia, na ponta norte do parque.

Serra do Mar

 

Com 3.150 quilômetros quadrados, o Parque Estadual da Serra do Mar tem mais que o dobro da área da cidade de São Paulo (1.523 km²). Corta 23 municípios, incluindo o extremo sul da capital. Seu formato é incomum: fino e comprido, acompanhando o contorno das montanhas que lhe dão nome. Desde Peruíbe, na costa sul, até Ubatuba, na divisa com o Rio, o parque é o pano de fundo para quase tudo que acontece no litoral paulista. É oceano de um lado, montanhas de mata atlântica do outro.

E, no meio, alguns milhões de turistas espremendo-se por um lugar ao sol. Com a maior parte de sua cobertura florestal preservada, o parque é abrigo para milhares de espécies de fauna e flora, muitas delas endêmicas e ameaçadas de extinção. Hectare por hectare, a mata atlântica é o bioma com a maior diversidade de espécies arbóreas do planeta, segundo o biólogo Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que há mais de 30 anos pesquisa a biodiversidade da Serra do Mar.

Na região do parque, a concentração pode chegar a 220 espécies por hectare – abaixo do recorde da mata atlântica, de mais de 300 espécies, registrado em Santa Teresa (ES), mas acima da média da Amazônia, onde a concentração varia de 100 a 200 espécies por hectare. Isso tudo, contando apenas as espécies arbóreas. Se fossem consideradas também as bromélias, orquídeas e outras plantas que crescem no tronco das árvores, o número seria bem maior. Mas ninguém fez essa conta ainda, segundo Joly. “Não saberia nem dar uma ordem de grandeza”, diz o pesquisador. Essa é uma das lacunas que ele espera preencher como coordenador do Projeto Temático Biota Gradiente Funcional, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que está fazendo um levantamento detalhado da diversidade e da ecologia das espécies florísticas damata em diferentes níveis de altitude.

 

 

O parque é terreno fértil para a ciência. Cerca de 200 projetos de pesquisa já foram realizados na unidade e outros 100 estão em andamento. A biodiversidade de fauna é igualmente impressionante. O parque abriga 373 espécies de aves, cerca de um quinto de tudo que existe no Brasil. Os mamíferos são 111 e os anfíbios, 144. Muitas são espécies endêmicas da mata atlântica e algumas, do próprio parque, só existem ali. A mata atlântica, que já cobriu 1,2 milhão de km², hoje está reduzida a pouco mais de 7% da sua extensão original.

Visitação a maior parte dessa riqueza biológica, entretanto, passa incógnita aos olhos dos turistas que atravessam a serra em direção à praia. O parque recebe cerca de 250 mil visitantes por ano, mas a infraestrutura turística ainda é precária. Apenas quatro dos oito núcleos da unidade possuem centros de visitantes (Caraguatatuba, Cunha, Itutinga-Pilões e Picinguaba). Todos possuem trilhas para caminhadas guiadas na mata, mas a condição da maioria é insatisfatória, segundo a avaliação que consta no plano de manejo. O governo do Estado tem planos de construir mais seis centros de visitantes, 20 novas trilhas e 20 bases de apoio à fiscalização e ao uso público.

Além disso, sua extensa área abrigava uma grande diversidade biológica, porém com o alto índice de ocupação do litoral, essa área sofreu grandes impactos. Só no Estado de São Paulo a perda foi de 90% da Mata Atlântica. Foram criados o Parque da Serra do Mar, Juréia – Itatins ou Serra da Paranapiacaba, responsável pela proteção do que resta de biodiversidade.

Nos demais Estados, recebe outro nome, como Serra da Bocaina ou dos Órgãos no Rio de Janeiro, Serra da Prata, Marumbi, Ibitiraquire ou Graciosa no Paraná e Serra do Itajaí ou Serra do Tabuleiro em Santa Catarina.

A Serra do Rio do Rastro, localizada no município de Lauro Müller (SC), já é conhecida além do Brasil. Uma revista da Espanha elaborou um concurso para escolher a estrada mais aterrorizante do mundo. Entre as concorrentes estavam opções como a Ponte de Storseisundet, localizada na Noruega, os caracóis da Travessa dos Libertadores, localizados na Cordilheira dos Andes, e o Túnel da rodovia de Guoliang, que fica na China. Com mais de 55 mil votos a Serra do Rio do Rastro foi a escolhida.

Rio do Rastro

 

A beleza da Serra do Rio do Rastro é inigualável, assim como as suas 284 curvas, várias delas bastante fechadas. Isso justifica o título de “assustadora” que recebeu do jornal espanhol. São 8 km de subida repleta de paisagens de tirar o fôlego, o fluxo de caminhões é intenso diariamente e não há acostamento na maioria do percurso. Porém, aproximadamente, a cada 500 metros, encontramos áreas de recuo à direita para quem sobe, permitindo admirar o cenário que ficou para trás. Em dias de neblina a Serra do Rio do Rastro costuma ficar fechada devido à falta de segurança para trafegar.

No topo da Serra há um mirante natural, com 1.460 metros acima do nível do mar, onde é possível ter uma visão panorâmica do local, avistar grande parte da estrada e diversos municípios de Santa Catarina que estão situados na parte baixa do estado. A estrutura do mirante costuma ser elogiada pelos turistas, existe um estacionamento amplo, com vagas para ônibus, veículos e vans.

No local os visitantes também têm acesso a alguns estabelecimentos comerciais, boa parte deles relacionados à alimentação. Afinal, nada mais convidativo que desfrutar de uma bela paisagem acompanhada de um café ou um chocolate quente e, em conjunto, degustar comidas típicas da região, como pinhão e salame. Há um posto da Polícia Rodoviária Federal localizado ao lado do mirante.

Usina Henry Borden

 

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Os tubos cruzam a Serra do Mar de cima abaixo e chamam a atenção dos moradores e de quem passa por ali, principalmente em dias em que o tempo está limpo, em que se pode melhor observar. Os 8 tubos cravados no meio da mata atlântica mexem com o imaginário de muitas pessoas. Há quem acredite que por eles desce petróleo, mas na verdade o conjunto de tubulações, que parece ter início em uma espécie de ‘catedral’ no alto da montanha, transporta água para uma das mais antigas usinas hidrelétricas aqui no Brasil, a Henry Borden, localizada em Cubatão.

A Henry Borden ainda gera energia e integra o sistema interligado sul-sudeste brasileiro, que distribui eletricidade de forma compartilhada. Se atuasse de forma individual, a usina teria capacidade de atender uma área de dois milhões de habitantes. A água dos tubos além de gerar energia, também auxilia no abastecimento da Estação de Tratamento da Sabesp localizada também em Cubatão.

Os Caminhos da Serra do Mar é o nome de um projeto de criação de uma trilha de longa duração, em consonância com o Projeto Travessias do ICMBio Sede, que percorre diversos municípios e corta algumas das unidades de conservação do Mosaico da Mata Atlântica Central Fluminense. Entre os ambientes visitados durante todo o percurso têm destaque os diversos ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica, como mata de encosta, campos de altitude, além de paredões rochosos, picos, poços e cachoeiras.

Nova Dutra

Rodovia Rio – São Paulo

 

Araras

Serra das Araras

 

Teresopolis-Dedo de Deus

Serra dos Órgãos

 

Ao todo o caminho, no núcleo desse parque, tem 68 km e pode ser percorrido em até seis dias. Em seus trechos, o Caminho do Ouro, a Travessia Cobiçado x Ventania, a Trilha Uricanal, e na Travessia Petrópolis x Teresópolis o caminhante poderá contar com sinalização adequada, descrição das trilhas e comprovará sua caminhada com um carimbo em seu “passaporte”.

 

Pontos turísticos da Serra do Mar

 

Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Picinguaba

Localizado a 40 Km de Ubatuba, bem próximo à entrada de Picinguaba, no Km 11 da BR 101. O Núcleo de Picinguaba ocupa uma área de 8.000 hectares, unindo o Parque Nacional da Bocaina ao Parque Nacional da Serra do Mar, está acima dos 100 metros de altitude, coberto por Mata Atlântica, é protegida como área de conservação ambiental pelo Núcleo Picinguaba.

Vegetação exuberante em meio a manguezais, cachoeiras e suas cinco praias nas quais duas delas são habitadas por vilas de pescadores, Picinguaba e Camburi. As praias de destaque são a Brava da Almada com acesso a pé em meio a árvores centenárias, além de ser boa para surfe; Praia da Fazenda, de mar calmo, ótima para banhistas; Praia da Vila, Praia Brava do Camburi, que é excelente para surfe e pode-se chegar a pé descendo uma verdadeira pirambeira e a Praia do Camburi, onde próximo à estrada existe uma lindíssima cachoeira.

O Parque Estadual da Serra do Mar é o maior parque do Estado de São Paulo. Com mais de 315 mil hectares, o que equivale a quase 300 mil campos de futebol, abrange 39 municípios e é dividido em oito núcleos: Picinguaba, Caraguatatuba, São Sebastião, Santa Virgínia, Cunha, Curucutu, Itutinga – Pilões e Itariru.

 

O Núcleo Curucutu do Parque tem seus 37,5 mil hectares divididos entre as cidades de São Paulo, Itanhaém, Juquitiba e Mongaguá. É nele, dentro da área compreendida pelo Polo de Ecoturismo, que estão as nascentes dos rios Capivari e Embu-Guaçu, muito importantes para o reservatório Guarapiranga, que abastece parte da capital. O núcleo foi criado a partir da antiga Fazenda Curucutu, desapropriada pelo estado em 1958, para preservação do manancial, quando a principal atividade realizada em seus limites era a produção de carvão vegetal.

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Angra dos Reis

 

A Serra da Bocaina é uma região que está situada na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, ligando o litoral fluminense ao Vale do Paraíba por um caminho aberto pelos índios há muito tempo atrás. Com uma área de mais de cem mil hectares e de muita exuberância, que abriga uma biodiversidade rica de paisagens naturais (como cachoeiras, praias e mirantes), de flora (com a maior extensão contínua de mata atlântica do Brasil) e de fauna (com diversas espécies de animais ameaçados de extinção), acabou se tornando Parque Nacional para que toda sua abundância possa ser protegida para a população das cidades da região, que incluem Paraty, Angra dos Reis, São José do Barreiro, Cunha e Ubatuba (sendo que 60% de seu território está localizado no Rio de Janeiro e 40% em São Paulo).

Trem de minério na serra Curitiba Paranaguá

 

A ferrovia Curitiba – Serra do Mar – Morretes – Paranaguá representa um extraordinário feito da engenharia do século 19, onde sua construção, considerada impraticável por inúmeros engenheiros europeus da época, começou oficialmente em fevereiro de 1880 e durou cinco anos. Ao longo de seus 110 Km o objetivo foi estreitar a relação entre as cidades do litoral paranaense e a capital do estado, com vistas ao desenvolvimento social do litoral. Além disso, era imprescindível ligar o Porto de Paranaguá ao interior, para que se desse vazão à produção de grãos dos estados.

 

No alto da Serra do Mar, a antiga vila ferroviária inglesa encanta pelas construções de madeira e pelas trilhas na Mata Atlântica. Todos os domingos, um trem deixa a paulistana Estação da Luz às 8h30, chegando uma hora e meia depois em Paranapiacaba, um longínquo distrito de Santo André, bem no alto da Serra do Mar.

 

Outro ponto a se destacar na Serra do Mar:

 

Trilha Pico do Corcovado

Extensão: 17 km (ida e volta)

Duração média da caminhada: 09 horas

Por dentro da mata de altitude ou nebular em ótimo estado de conservação, alcança-se o Pico do Corcovado, de onde se avista o litoral de Ubatuba e o Vale do Paraíba, a 1.168m de altitude. O período mais adequado para visitar este atrativo é entre os meses de maio a agosto. Não é permitido acampamento ou pernoite no local.

 

Garuva, está localizada na região do caminho dos príncipes, nordeste do estado de Santa Catarina. A cobertura florestal natural do município está inserida na região da mata atlântica. As terras compreendem um agrupamento de vegetação denominado tropical atlântica. Encontram-se elevações com até 1.400 metros, na Serra do Mar. Na bacia do Rio Palmital existem áreas de mangue.

 

Autor: Levy

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