Salinas, Terra da Cachaça

Salinas é um município do estado de Minas Gerais, conhecido pela qualidade do requeijão e da carne de sol, pelas tradições, pelo folclore e pela produção agropecuária. Mas nada lhe dá mais notoriedade do que as suas famosas cachaças. Outras atrações da cidade são as Festas Juninas, a Corrida e Caminhada de Salinas, realizada em 26 de junho, o Festival Mundial da Cachaça, as jazidas minerais e o artesanato. A cidade atrai grande número de turistas ávidos por degustar as mais de sessenta marcas ali produzidas. Atualmente, o agronegócio da cachaça em Salinas já representa cerca de um terço da economia do município.

Salinas

Localiza-se a143 km da divisa com a Bahia, cerca de 1:50 horas. Dependendo da cidade de partida, pode-se fazer um passeio bastante agradável, conhecendo o interior do estado de Minas. O aeroporto existente na cidade ainda não opera com voos regulares que faça ligação com as principais cidades do país.

 

Atualmente, a cachaça é uma importante atividade econômica do município e, recentemente, também tem sido adotada como elemento de identificação para a estruturação turística. Foi instalado em 2012 o Museu da Cachaça, no antigo aeroporto da cidade, formado por oito salas que incluem um acervo de garrafas e um moinho montados a partir de temas como sociedade do açúcar, engenhos antigos e atuais, plantação, colheita e moagem da cana e história da cachaça em Salinas.

Museu da Cachaca-salinas

 

Museu da Cachaca

 

 

 

 

 

 

 

Museu da Cachaca

 

Museu da Cachaca

 

 

 

 

 

 

Tradicionalmente a produção de cachaça na região de Salinas se inicia no mês de junho e se estende até dezembro. O solo e clima da região propicia a produção de cachaça em fazendas escondidas em colinas e serras da região. Nas últimas décadas a cachaça de Salinas alcançou tamanha projeção que é reconhecida como a “Capital Mundial da Cachaça de Alambique”. Salinas virou sinônimo de cachaça e faz parte da história da cachaça brasileira

 

 

 

Ao dar início da produção de cachaça nas fazendas da região, uma terá motivo especial para comemorar: a fazenda Havana, que fica no sopé da Serra dos Bois, entre os municípios de Salinas e Novorizonte. A produção de cachaça teve início em 1943 e, desde então, se transformou numa espécie de reduto sagrado da cachaça brasileira. Da fazenda Havana sai a cachaça mais antiga de Salinas e região: a Havana. A projeção nacional e internacional da cachaça de Salinas teve início nesta fazenda de propriedade do produtor Anísio Santiago (1912-2002). A cachaça de Anísio Santiago fez tanto sucesso que estimulou outros fazendeiros seguirem o mesmo caminho.

Anisio Santiago

Nestes setenta e três anos de produção de cachaça, Anísio Santiago e filhos criaram método de produzir e envelhecer a cachaça Havana, agora também com a marca Anísio Santiago, até hoje um segredo mantido a sete chaves. E, mais, se tornou numa das marcas de cachaça mais caras do país, chegando a ultrapassar o preço de alguns whiskies envelhecidos. Ainda assim, a produção continua restrita. A família de Anísio Santiago vem mantendo o mesmo método de fabricação forjado pelo patriarca. As marcas de cachaça Havana e Anísio Santiago é exemplo de sucesso. A longevidade da produção é prova inconteste disso. Bom para Salinas e para a cachaça brasileira. Serve de referência para outros produtores. Ao longo de sete décadas de produção a cachaça Havana vem demonstrando que é possível fazer sucesso, ainda que a estrutura de produção seja pequena e que o alambique esteja instalado longe dos lugares de consumo.

Havana e Anísio Santiago                   Havana-preco

A cachaça Havana é reconhecida no país e no exterior como uma das mais tradicionais marcas de cachaça do Brasil. É apreciada por degustadores, especialistas e personalidades somente em determinadas ocasiões. É guardada como se fosse um tesouro, a sete chaves, dada a sua preciosidade

 

 

Fazenda HavanaOsvaldo Santiago, filho e sucessor de Anísio Santiago diz que a “tradição e qualidade da cachaça Havana-Anísio Santiago permanecem. Sabemos da importância histórica da cachaça produzida em nossa fazenda. Não abrimos mão do legado deixado pelo nosso pai. Buscamos o centenário da nossa cachaça com esmero e capricho. Muita gente não entende, mas não buscamos riqueza. A fazenda Havana continua do mesmo jeito que ele deixou”.

Alguns especialistas dizem que a história da cachaça brasileira se divide em duas fases: antes e depois da cachaça Havana. Preservar a fazenda é manter intacta parte da história da cachaça brasileira. É com esse espírito de preservação histórica que a cachaça Havana vem se mantendo no tempo e no espaço em busca do seu centenário. O tempo virou companheiro inseparável dessa magnífica marca de cachaça produzida com esmero e capricho na fazenda Havana. Anísio Santiago faleceu em 2002 aos noventa e um anos, mas o seu feito continua sendo perpetuado pelos filhos. Um exemplo de empreendimento familiar que se perpetua ao longo do tempo num país em que a maioria das empresas fecham no primeiro ano de funcionamento.

 

Em 1942, Anísio comprou a fazenda Havana que pertencia a viúva de João Soares, Maria Virgínia Soares, localizada no sopé da Serra dos Bois, distante cerca de doze quilômetros da sede do município. Para lá mudou com a esposa no ano seguinte. Iniciava-se nova fase na vida do então jovem Anísio Santiago.

 

Em 1943, estabelecido definitivamente na fazenda Havana, iniciou produção de cachaça em um pequeno alambique que já existia na fazenda dos antigos proprietários. Em pouco tempo a produção de cachaça se transformou na principal atividade econômica. A produção era vendida a granel e somente em 1946 constituiu empresa e passou a identificar seu produto através da marca Havana. Até então os produtores do município e região produziam e vendiam cachaça a granel aos comerciantes e tropeiros da região desde o final do século XIX.
Em 1947, em parceria com o irmão Sílvio Santiago e o amigo Aníbal Gonçalves das Neves, comprou caminhão Chevrolet, importado dos Estados Unidos. Ele próprio foi ao Rio de Janeiro buscar o veículo. A viagem durou seis dias. Logo comprou as partes do irmão e do amigo Aníbal. Com o caminhão comercializava sua cachaça em Salinas, região norte-mineira e sul da Bahia. Como produzia cachaça de qualidade logo foi adquirindo fama junto ao consumidor. O fato de ser conhecido por onde passava, uma vez que fora tropeiro e motorista de caminhão a partir da década de 1930, facilitava o comércio de seu produto com a entrega imediata, o que não acontecia com os outros produtores de cachaça, nem os de Salinas.

 

Com sua maneira diferenciada de trabalhar, Anísio saiu na frente dos produtores que comercializam o seu produto a granel. Viam nele uma referência no processo de produção de cachaça de qualidade, uma vez que a marca Havana tinha grande aceitação na região e a sua fama estava ultrapassando fronteiras. Em função disso logo surgiram várias marcas como a Piragibana, do produtor Ney Corrêa; a Indaiazinha, do produtor Waldete Romualdo; a Seleta, do produtor Miguelzinho de Almeida; a Teixeirinha, do produtor Felismino Teixeira; a Asa Branca, do produtor Juventino Queiroz; a Sabiá, do produtor Juca Marcolino; a Estrela do Norte, do produtor Prudêncio Francisco dos Santos; e a Pulusinha, do produtor Narciso Dias Correia.

Piragibana                      Indaiazinha

 

Sabia           Seleta

Na década de 1970, Salinas foi se impondo regionalmente como grande produtora de cachaça. O clima, solo e a variedade de cana Java, que se adaptou muito bem ao clima da região, foram fatores decisivos em todo o processo. Atualmente existem mais de 50 marcas de cachaça produzidas no município. A produção anual já ultrapassa quatro milhões de litros por safra.

 

Anísio Santiago foi e ainda é uma lenda. Transformou-se no maior ícone da história da cachaça brasileira. É impossível falar ou escrever sobre cachaça sem tecer comentário ao seu nome e ao seu feito. Recentemente tem sido lançado vários livros sobre a cachaça brasileira por vários autores. Todos tecem comentários ao seu feito

 

Museu da Cachaça de Salinas – MG

Av. Antônio Carlos, 1.250, Salinas

(38) 3841-4778

 

Um pouco da história da cachaça

 

A cachaça foi descoberta pelos escravos dos engenhos de açúcar em meados do século XVI. Era considerada uma bebida de baixo status perante a sociedade, pois era consumida apenas por escravos e brancos pobres, enquanto a elite brasileira da época preferia vinhos e a bagaceira (aguardente de bagaço de uva), trazidos de Portugal.

 

Porém, mesmo assim os engenhos de cachaça foram se espalhando, tornando-se a bebida alcoólica mais consumida no Brasil Colônia. Com isso, a Corte Portuguesa proibiu sua produção, comercialização e consumo sob a justificativa de que seu consumo pelos escravos poderia ameaçar a segurança e a ordem da Colônia, e que prejudicava, também, o rendimento dos trabalhadores das minas de ouro e no comércio local. Entretanto, o principal motivo, segundo alguns historiadores, é que a cachaça produzida no Brasil começou a ganhar espaço junto à classe média da época, levando à diminuição do consumo da bagaceira, importada de Portugal e, consequentemente, arrecadando menos impostos.

 

Como na prática nunca se conseguiu acabar com o consumo da bebida, em meados do século XVIII a Corte Portuguesa decidiu taxar a venda da cachaça, porém sem sucesso, pois a sonegação era muito elevada e a aguardente tornou-se um símbolo de resistência contra a dominação portuguesa. Quando o produto nacional começou a ganhar força entre todas as classes sociais, alguns setores da elite e da classe média do século XIX e início do XX iniciaram um movimento de preconceito contra a cachaça, uma vez que eles buscavam uma identidade mais próxima da europeia.

Somente durante a Semana de Arte de 1922, quando se buscou as raízes brasileiras, é que a cachaça voltou a ser considerada um símbolo da cultura nacional e contra a adoção da cultura europeia. E, desde então, é considerada a mais brasileira das bebidas e famosa em todo o mundo.

 

Cachaça, caninha, pinga, cana e aguardente de cana

 

Para que o produto receba a denominação de cachaça, deve obedecer aos parâmetros estabelecidos pelo Decreto n° 2314, de 4 de setembro de 1997, que regulamenta a padronização e classificação de bebidas.

Sendo a cachaça, caninha, cana ou aguardente de cana toda bebida que utilize a cana-de-açúcar como matéria-prima e com sua graduação alcoólica entre 38% e 54% em volume, a 20° C, podendo ainda ser acrescida de açúcar em até seis gramas por litro, sendo que quando a adição de açúcar for superior a seis e inferior a 30 gramas por litro deve receber a denominação de cachaça adoçada, caninha adoçada ou aguardente de cana adoçada.

 

Consumo e produção

 

A aguardente de cana é a terceira bebida destilada mais consumida no mundo e a primeira no Brasil. Segundo o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, Caninha ou Cachaça (PBDAC), a produção é em torno de 1,3 bilhão de litros por ano, sendo que cerca de 75% desse total é proveniente da fabricação industrial e 25%, da forma artesanal. O Brasil consome quase toda a produção de cachaça; por volta de 1% a 2 %, apenas, é exportado (2,5 milhões de litros). Os principais países compradores são: Alemanha, Paraguai, Itália, Uruguai e Portugal.

 

Onde ficar

 

Hotel e Churrascaria Tamburil – Rodovia BR-251, Km 371 – Fones.: 38 3841-3974/3841-2797

Gran Norte Hotel – Av Sebastião Moura Oliveira, 199 – Fones.: 38 3841-4157

Volpi Hotel Restaurante e Pizzaria – Av Floripes Crispin, 928 – Fones.: 38 3841-3765

 

 

 

 

Autor: Levy

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2 comentário

  1. Muito bonita a história, superação é muita dedicação, que continuem levando adiante, parte dessa cultura tão preciosa que tem nosso país

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    • Obrigado por sua observação. Elas são muito importantes para continuar com o meu trabalho. Obrigado pela visita ao nosso Blog.

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