Os Vinhos do São Francisco

Em meio à paisagem árida do Sertão pernambucano, o Vale do São Francisco torna-se um oásis, com potencial turístico para os apreciadores de um bom vinho. A região é capaz de produzir cinco safras a cada dois anos com vinhos jovens, leves, aromáticos, frutados, de acidez acentuada e com o frescor que nosso clima tropical exige. O solo é raso e a seca ininterrupta durante oito meses do ano. Mesmo assim, as vinícolas são as únicas no mundo onde se pode plantar e colher em qualquer época do ano. Graças às três mil horas de sol intenso e à cultura irrigada com as águas do São Francisco, destacando-se Lagoa Grande, município do Vale que conta com quatro vinícolas: Bianchetti, Garziera, Santa Maria (Rio Sol) e Château Duccos.

Vale do São Francisco

Em 2012, o Testardi, tinto varietal elaborado apenas com uva syrah na Fazenda Ouro Verde (Grupo Miolo), foi considerado o melhor do país. Outro tinto de destaque é o Paralelo 8, da Rio Sol (da Vitivinícola Santa Maria, a maior do estado), com uvas Aragonez, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon, com amadurecimento de oito meses em carvalho francês. Única vinícola do Nordeste a produzir vinhos orgânicos, a Bianchetti também aposta nos sucos. Outra vinícola que merece destaque é a Botticelli, pioneira no Nordeste no cultivo de uvas para exportação.

 

Para os recifenses, o paraíso das videiras não está tão longe assim. Há voos diários até Petrolina, principal cidade do Vale do São Francisco. No período do carnaval, por exemplo, o custo fica por cerca de R$ 150 (ida e volta). Perfeito para quem quer fugir da folia na capital. Há agências de turismo locais que organizam passeios às vinícolas, com direito a degustações, e buscam os visitantes nos hotéis. Por R$ 150, por exemplo, o turista pode visitar os parreirais (e comer as uvas) da Fazenda Santa Maria, acompanhar o processo de elaboração dos vinhos Rio Sol, fazer um passeio de catamarã no São Francisco com degustação de espumantes e ainda almoçar na casa grande.

 

Dica preciosa do Vale

 

Não conseguiu visitar todas as vinícolas que queria? Dê um pulinho na Sommelier do Vale, loja do pesquisador e documentarista José Figueiredo. Lá consegue-se encontrar praticamente todos os rótulos produzidos no Vale do São Francisco, alguns deles mais baratos que os encontrados nas próprias lojas das fazendas produtoras. Além dos vinhos, produtos de higiene e de beleza elaborados exclusivamente com as uvas da região, a linha cosmética Adega do Corpo.

 

História

Apesar do pouco tempo de emancipação política, o município de Lagoa Grande já ostenta uma história promissora. A localidade, que em 1997 deixou de ser distrito de Santa Maria da Boa Vista para ser elevada à categoria de cidade, hoje é um dos destaques do Pólo Vitivinícola de Pernambuco. O município possui uma produção anual de 20,5 milhões de kg de uvas e de sete milhões de litros de vinho, exportando parte deste volume para outros países e diversos estados brasileiros.

Lagoa Grande

Lagoa Grande

Lagoa Grande

 

 

 

Em Lagoa Grande, conhecida em todo o Brasil como a capital da uva e do vinho do Nordeste, existem cerca de dez vinícolas, responsáveis pela geração de 10,5 mil empregos. A Festa da Uva e do Vinho oferece aos visitantes e moradores de Lagoa Grande diversas atrações. Além de degustar as uvas e vinhos da cidade, os participantes do evento podem conhecer algumas fazendas da região para passear entre as videiras e verificar todas as etapas de produção vinícola, desde o plantio da uva até o acondicionamento do vinho.

 

Ao longo dos seus 2.863 quilômetros de extensão, o Rio São Francisco corta cinco estados e carrega em suas águas histórias, contradições, tristezas e também surpresas. Há 40 anos, dificilmente se imaginaria, por exemplo, que o Sertão nos arredores do rio seria um polo produtor não apenas de frutas para exportação, mas também de vinhos de qualidade.

 

Diferentemente do clima frio que atraiu colonos europeus para o sul do país, o semiárido nordestino é dono de um sol incessante que raramente recebe a visita da chuva. Mas é exatamente no clima causticante que reside a força da produção vinífera da região. Com sol o ano inteiro e um sistema de irrigação por gotejamento com as águas do Velho Chico, a região do Vale do São Francisco surpreende ao conseguir o dobro de safras que a maioria das vinícolas de clima temperado alcança.

Vinhedos

Em meio à Caatinga e aos bodes, as vinícolas do sertão chegam a produzir duas safras e meia ao ano, mais do que o dobro de uma vinícola no sul gaúcho com uma safra anual.

Uvas e vinhos

O desafio, explica o enólogo João dos Santos, é exatamente este: produzir vinho em um lugar antes impensável. Diretor-comercial da Rio Sol, ele conta que a empresa Global Wines chegou à região no começo dos anos 2000, quando uma greve na Receita Federal em 2002 deixou o lote proveniente de Portugal parado quatro meses na Alfândega.

 

Exportavam para 43 países, e o Brasil era o quarto melhor negócio da empresa. Imaginaram que a melhor saída seria passar a fazer um vinho de qualidade no Vale. Era um desafio ao preconceito do próprio brasileiro em relação ao vinho produzido no País.

Vitivinicola Santa Maria

Santos trabalha na Vitivinícola Santa Maria, que fica em Lagoa Grande, a 53 quilômetros de Petrolina, cidade pernambucana às margens do São Francisco. Em 2003, quando chegaram os portugueses interessados em produzir fora da Serra e da Campanha Gaúcha, poucos apostavam que as terras vermelhas, o clima seco e as altas temperaturas fossem capazes de gerar uvas viníferas.

Vitivinicola Santa Maria

Mas a experiência em Portugal provara o contrário. O Alentejo vivencia temperaturas de 40 graus e é hoje uma renomada produtora de vinhos. De cada duas garrafas de vinho português exportadas, estima-se que uma seja proveniente da região ao sul de Portugal.

 

Pensava-se na época que o Alentejo nunca produziria um vinho de qualidade, mas hoje vemos o oposto, já que por muito tempo se dedicou apenas à produção de trigo. Existe uma constância climática. E isso faz os vinhos serem bons.

 

A empresa é responsável pelas marcas Rio Sol, Adega do Vale, Vinha Maria e Paralelo 8, feitas com as uvas Aragonez, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon, amadurecidas por oito meses em carvalho e batizadas em referência à localização próxima à linha do Equador.

Rio Sol

Rio Sol

Adega do Vale

Adega do Vale

Vinha Maria

Vinha Maria

Paralelo 8Paralelo 8

Entre vinhos e espumantes por ano, são 1,3 milhão de litros. Nos 160 hectares plantados, as parreiras produzem 25 tipos de uvas, como Cabernet, Aragonês, Tempranillo e Chenin Blanc. Além do consumo doméstico, há exportação para Portugal, Inglaterra, Holanda, Estados Unidos e Canadá.

 

Antes, a vinícola era propriedade do Grupo Raymundo da Fonte, que cultivava ali uvas para a produção de vinagre. Atualmente, 60% das uvas destinam-se à fabricação de espumantes, que acabam sendo os vinhos brasileiros de maior prestígio internacional. O restante divide-se entre vinhos jovens e os chamados vinhos de maturação, que representam 6% da produção da vitivinícola.

Vinícola Ouro Verde

Com mais de 300 dias de sol por ano, os funcionários simulam períodos de hibernação, ao causar um choque hídrico nas parreiras, a fim de renová-las para a safra seguinte. Assim conseguem obter as quatro fases da parreira, de acordo com as estações do ano: hibernação, florescimento, colheita e poda.

Fazenda Ouro Verde

Sujeita a condições climáticas semelhantes, a Fazenda Ouro Verde é a maior concorrente da Rio Sol na região, atualmente. Diferentemente do grupo português, a propriedade do Grupo Miolo fabrica vinhos varietais, como o Syrah Testardi, que fica 12 meses em barris franceses, e espumantes.

Fazenda Ouro Verde

Os 200 hectares da fazenda localizada em Casa Nova, na Bahia, são responsáveis por um terço da produção anual de 12 milhões de litros da empresa, que exporta para mais de 30 países.

Casa Nova - Bahia

Hoje o vale já é reconhecido como produtor de vinhos promissores, ainda que sem a pretensão de se igualar aos terroirs de exceção (palavra de origem francesa, que significa “solo”, que é o conjunto de características especiais que a geografia, a geologia e o clima de um determinado lugar, interagindo com a genética da planta, expressa, em forma de sabor e aroma, em produtos agrícolas como vinho, café, chocolate, tomate), com vinícolas instaladas nos municípios pernambucanos de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, e em Casa Nova, na Bahia.

 

Com algumas casas de taipa, a paisagem monocolor do Semiárido pontuada por elementos da vegetação da Caatinga, como o mandacaru e o xique-xique, dá espaço ao verde dos parreirais que sustentam o intenso azul do céu que disputa espaço com nuvens baixas.

 

O florescer econômico da região vem acompanhado também por mudanças culturais, nas quais o bode perde na gastronomia o posto para o carneiro, adotado nos restaurantes por conta da preferência do freguês forasteiro. O carré desafia a buchada.

Para os apreciadores do vinho, há dois tipos de romaria. É possível chegar de carro às fazendas, que ficam a uma hora de Petrolina ou Juazeiro, na Bahia. E também há opções de pacotes que incluem, além da visita à vinícola, almoço e passeio pelo São Francisco. No roteiro mais simples, a Vale Turismo oferece nos fins de semana um tour de oito horas por R$ 140,00, que inclui visita aos parreirais da Rio Sol, à adega e à fábrica na Santa Maria. Na segunda parte do passeio, uma degustação de alguns vinhos e espumantes a bordo de um catamarã pelas águas do São Francisco, com direito a uma parada para banho. Os visitantes retornam para a vinícola, onde são recebidos com almoço regional, acompanhado de um vinho ou espumante da Rio Sol, que tem uma média de mil visitantes por mês.

 

Petrolina é a porta de entrada da região do Vale do São Francisco, com uma população de 320 mil habitantes, sendo o quinto maior município do Estado e o segundo do interior, atrás apenas de Caruaru. Localizada em pleno sertão semiárido, porém às margens de um dos mais importantes rios da América Latina, marca pela riqueza construída pelo homem. Basta cruzar a ponte para chegar à Bahia, na cidade de Juazeiro.

Hoje, devido a esse “milagre” do plantio irrigado, cresceu e desenvolveu-se, possuindo o segundo maior PIB de Pernambuco. Atualmente a cidade responde por 90% das exportações nacionais de Manga e Uva. Há potencialidade alta no cultivo de melancia, coco e inúmeros cultivos. Os produtores de uva também passam a investir em suco de uva.

 

www.catamaravaleturismo.com.br

 

É graças ao sol e à água do Velho Chico, portanto, que uma nova produção e roteiro atraem turistas para o Sertão. As benesses do rio, no entanto, sofrem com o desarranjo climático. Com um gasto médio de 4,5 mil litros de água por mês, cada vinícola também terá de se adaptar às secas que no ano passado acenderam o alerta de estiagem.

 

O enoturismo é uma fonte de receita importante para as duas vinícolas e uma oportunidade de divulgação do vinho da região. E também um choque para a maioria dos visitantes, surpresos com uma estrutura de adega e vinhedos em pleno sertão. A ViniBrasil recebe cerca de 500 visitantes por mês, 6.000 ao ano. O maior público é composto de brasileiros de outros estados. A Terranova recebe mais de 20.000 visitantes ao ano.

 

Terra Nova/Miolo/Fazenda Ouro Verde

Onde: Fazenda Ouro Verde, BR 235 km 40, Santana do Sobrado s/n Vale do São Francisco

Casa Nova, Bahia

Desde: 2000

Área cultivada: 200 hectares

Produção: 2 milhões de garrafas por ano

Rótulo mais vendido: Terranova Moscatel

Vinho mais bem avaliado pela crítica: Testardi Syrah

Onde encontrar: lojas e supermercados em todo o Brasil

Venda on-line: www.loja.miolo.com.br

 

 

Vitivinícola Santa Maria/ViniBrasil/Rio Sol

Onde: Fazenda Planaltino, S/N, Zonal Rural. Lagoa Grande, Pernambuco

Desde: 2002

Área cultivada: 200 hectares

Produção: 1,5 milhão de garrafas por ano

Rótulos mais vendidos: Rio Sol Brut Rosé e o vinho tinto Rio Sol Cabernet Sauvignon-Syrah.

Vinho mais bem avaliado pela crítica: Vinho Tinto Vinha Maria Reserva Selecionada

Onde encontrar: lojas e supermercados do Brasil (exceção da Região Norte, onde só existe distribuição no Pará)

Vendas on-line: site página oficial: www.facebook.com/vinhosriosol

www.vinho.ig.com.br

www.facebook.com/rgerosa

 

A seguir a lista das vinícolas e seus vinhos para você degustar:

 

ADEGA BIANCHETTI TEDESCO LTDA
A única a produzir vinhos orgânicos na região
Endereço: Estrada dos Vermelhos, s/nº, Zona Rural, Lagoa Grande-PE, CEP: 56.395-000
Produz:

Tintos: Cabernet Sauvignon; Petite Syrah; Tinto Leve Suave Bianchetti.

Brancos: Sauvignon Blanc; Moscato.

Espumantes Bianchetti: Branco Brut; Moscatel Asti; Rosé Demi-Sec.

Vinhos Portal do Sol (Assemblage):

Vinhos Finos: Tinto Seco; Tinto Suave; Branco Seco; Branco Suave; Rosé Suave.
E-mail: www.vinhosbianchetti@bol.com.br

izanete@vinhosbianchetti.com.br

 

VINÍCOLA DO VALE DO SÃO FRANCISCO – BOTTICELLI
A primeira indústria da região a produzir vinho e pioneira, no Nordeste, no cultivo de uvas para exportação
Endereço: Fazenda Milano, Zona Rural, s/nº, Santa Maria da Boa Vista – PE, Cx Postal 01, CEP: 56.380-000
Vinhos:

Tintos: Cabernet Sauvignon (Varietal); Petite Syrah; Tannat; Ruby Cabernet (Coleção).

Brancos: Moscato Canelli; Chenin Blanc (Varietal).

Espumantes: Asti; Brut.

Site: www.botticelli.com.br

Fones: (87) 3860-1536 Vinícola / 3862-2200 Faz. Milano

(81) 3252-8912 / 8900 Escritório em Recife

Fax: (81) 3252-1279

E-mail:

botticelli@botticelli.com.br

gualberto@botticelli.com.br

ricardoalmeida@botticelli.com.br

 

VITIVINÍCOLA SANTA MARIA S/A – RIO SOL – ViniBrasil

A maior vinícola de Pernambuco

Endereço: Fazenda Planaltino, s/nº, Lagoa Grande-PE, Cx Postal 09, CEP: 56.395-000
Vinhos:

Tintos: Adega do Vale; Rendeiras; Rio Sol; Rio Sol Reserva; Rio Sol Winemaker’s Selection; Paralelo 8 (Super Premium).

Brancos e Rosés: Rio Sol; Adega do Vale.

Espumantes: Rio Sol – Brut (Branco e Rosé); Demi-Sec; Moscato

Adega do Vale: Brut; Moscato
Fones: (87) 3860-1587/ 3869-9410/ (81) 3471-3778 Escritório em Recife
E-mail:

www.joaosantos@vinibrasil.com.br

www.andre.arruda@vinibrasil.com.br

www.ricardohenriques@vinibrasil.com.br

www.vinibrasil.com.br

 

VINÍCOLA TERROIR DO SÃO FRANCISCO – GARZIERA

Endereço: Sítio Gado Bravo, s/n – Distrito de Vermelhos – Lagoa Grande –PE
É pioneira no receptivo turístico do vinho e na produção de suco natural de uva. Esta vinícola está produzindo apenas o suco de uva integral Sol do Sertão.

Visitas com agendamento.

Vinhos:

Tintos: Garziera Shiraz 2005 e 2007; Garziera Cabernet Sauvignon 2005 e 2007; Garziera Tannat 2007; Garziera Merlot 2007; Carrancas do São Francisco Cabernet Sauvignon/Shiraz 2006 e 2007; Carrancas do São Francisco Tinto Suave; Cantina do Sertão Tinto (seco e suave).

Brancos: Garziera Moscato Itália; Carrancas do São Francisco (Moscato/Sauvignon Blanc) 2006 e 2008; Carrancas do São Francisco Branco Suave e Cantina do Sertão (seco e suave).

Rosé: Cantina do Sertão (suave).

Espumante: Garziera Moscatel Espumante

Suco de Uva Natural: Sol do Sertão

www.vinhogarziera.com.br

Fones: (87) 3869-9667
www.comercial.pe@tsf.ind.br

 

VINÍCOLA OURO VERDE – MIOLO
Endereço: BR 235, Km 40, Santana do Sobrado s/n, Caixa Postal 80, Casa Nova-BA, CEP: 47.300-000
Vinhos:

Tinto: Vinho Miolo Testardi, Shiraz (safra 2007); Cabernet Sauvignon (Reserva – safra 2006).

Branco: Drymuscat (safra 2006).

Espumante: Brut (safra 2007); Demi-Sec (safra 2007); Moscatel (safra 2007).

Conhaque: Osborne Brandy.

Fone: (74) 3536-1132 / 3972 / (74) 3527-4193 / 4002
Fax: (74) 3527-4243

www.flavio.durante@miolo.com.br

 

CHÂTEAU DUCCOS
A vinícola possui uma extensão total de 124 hectares.
Razão Social: Duccos Vinícola Comércio Importação e Exportação Ltda
Endereço: Estrada dos Vermelhos, Zona Rural, Lagoa Grande-PE
Fones: (87) 3985-1010 / (87) 3985-1006
www.genaldobraz@saobrazbebidas.com.br

www.ailtonpatos@yahoo.com.br

www.bessaduccos@hotmail.com

 

Autor: Levy

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