MAPARÁ

O Mapará é um peixe de couro e de água doce, que habita os rios do Paraná e do Amazonas, principalmente no Rio Tocantins na microrregião de Cametá.

 

O Mapará foi o peixe existente em maior abundância na região e por isso tornou-se no decorrer da História de Limoeiro, um símbolo econômico cultural e alimentar para a população.
O Mapará

Com a construção da Usina Hidroelétrica de Tucuruí, o desenvolvimento de técnicas pesqueiras mais eficientes, a exportação do peixe, a pesca predatória, tem gerado um declínio considerável na sua produção, com seu encarecimento e conseguinte falta do alimento para abastecer a população local.
A pescaria do peixe mapará é um evento grandioso que atrai milhares de pessoas para a região das ilhas do baixo Tocantins, no Pará. As famílias de ribeirinhos trabalham nos preparativos para o esperado dia de abertura da pesca.

Na Ilha de Saracá, todos os anos, no último dia de fevereiro, alguns moradores se reúnem para planejar a abertura da pesca, que ocorre no dia seguinte. No primeiro dia de março, dia da abertura da pesca, o sol vai raiando preguiçoso e o pessoal de Saracá já está na ativa. O trabalho de pesca começa com um serviço complicado: procurar os cardumes de mapará na imensidão do rio. Para isso, os pescadores contam com uma equipe especializada, comandada pelo taleiro, personagem fundamental dessa atividade.

2 cameta-vista-aerea

Cametá

1 Região de Cametá

Região de Cametá

Terminada a reunião de trabalho, as mulheres entram em cena cantando o siriá (dança brasileira originária do município de Cametá, localizado no estado do Pará. É considerada uma expressão de amor, de sedução e de gratidão para os índios e para os escravos africanos ante um acontecimento), um tipo de música tradicional dessa região do Pará. No centro da roda ficam objetos ligados aos principais produtos das ilhas: uma peneira, usada para coar açaí; a armadilha, para pegar camarão; e uma rede de pesca.

3 Siriá

 

3a siriá

Enquanto a cantoria continua no barracão, outro grupo já começa a embarcar o material que será usado para a captura do mapará.

 

A pesca do mapará, exige paciência. Os pescadores se reúnem no rio Tocantins na escuridão da madrugada, usando a lua como fonte de iluminação, em barcos de médio porte, como as rabetas, e até canoas, que se movem com a força dos braços dos ribeirinhos.

4 a pesca

O grupo vai aumentando conforme a comitiva desce o rio. Ao longo do caminho, existem locais com profundidade de até 23 metros, e são nesses poços que os cardumes de mapará costumam ficar. Encontrar o local ideal é função do taleiro, que geralmente é o pescador mais antigo e experiente da comunidade. Depois de horas baixando a corda e mergulhando a vareta, o taleiro dá o sinal e começao trabalho pesado.

5 a pesca

De repente, a calmaria se transforma em agitação. Esse momento é decisivo. Os taleiros já deram o sinal, os cardumes já foram localizados e o grupo segue em fila para fazer o bloqueio do mapará.

 

Os ribeirinhos remam com toda força para soltar a rede e cercar o cardume antes que os peixes fujam. Essa ação é chamada de borqueio. Enquanto isso, outros pescadores batem na água para encurralar os peixes dentro do cerco. A água é barrenta, e por isso a visibilidade é quase zero, por isso, é impossível ver o trabalho dos mergulhadores, que são responsáveis por amarrar a rede – uma tarefa difícil e perigosa.

 7 MAPARA

O serviço precisa do apoio de um time de mergulhadores. Além das boias em cima, a rede tem chumbo na parte de baixo. O bloqueio é normalmente feito em áreas onde a profundidade do rio não passa de dez metros. Conforme o trabalho avança, vários barcos turistas e moradores da região se aproximam do bloqueio.

 

Aos poucos, o bloqueio vai mudando de forma e o volume de curiosos aumenta. É tanto barco e tanta gente tirando foto que a polícia precisa ser acionada para evitar acidentes.

 

Uma hora e meia depois do início do bloqueio, finalmente o trabalho vai chegando ao fim com a rede mais apertada e os barcos em volta. Em instantes, é possível ver os peixes. Para retirar o cardume do rio, alguns dos pescadores entram no cercado e enchem os cestos.

 

A rede começa a ser puxada após a amarração. Conforme a malha vai subindo, o cardume vai aparecendo. Depois da pesca, todos se reúnem para partilhar os peixes. A divisão é feita no meio do rio.

Esta divisão ocorre há cerca de quatro anos, quando os ribeirinhos passaram a se reunir em associações. Agora, além de pescar eles também são responsáveis pela preservação do meio-ambiente, uma parceria que dá certo porque com a manutenção da fauna dos rios, o ribeirinho terá sempre sua principal fonte de renda.

 

A agitação da abertura da pesca se repete, ao mesmo tempo, em vários pontos do rio Tocantins. Terminado o bloqueio, os barquinhos retornam para a ilha de Saracá. O mapará é dividido entre os pescadores e os membros da associação de pesca. Cada família da ilha também recebe um pouco de peixe para consumo próprio.

 

O pessoal de Saracá faz o bloqueio do mapará umas duas ou três vezes por mês. O trabalho é realizado sempre fora do período do defeso e com redes autorizadas por lei, evitando, por exemplo, o uso de malha fina para não pegar peixe pequeno. O mapará costuma ser vendido numa faixa de R$ 7 a R$ 10 o quilo. Os compradores são atravessadores, que normalmente, revendem o peixe na região.

 

Com o peixe na brasa e uma boa conversa, as famílias de Saracá comemoram o início de mais uma temporada de pesca do mapará, uma fonte de renda e alimento para milhares de pessoas nas ilhas do baixo Tocantins.

 

O Mapará também conhecido como mapurá, peixe gato, mapará de Cametá ou oleiro, possui carne saborosa e alcança até 3 kg de peso, com um rendimento de filé superior a 60.
A distribuição do mapará é ampla na América do Sul; incluindo a Bacia Amazônica, a Bacia do Prata, de Orinoco e águas costeiras do Pará (foz do Amazonas) até o Suriname. Na Amazônia Central, além da ocorrência do H. edentatus, são encontradas outras duas espécies do gênero H. marginatus e H. fimbriatus.
Os Botos são predadores, mas também são grandes aliados dos pescadores, pois, onde tem boto normalmente tem peixe. No caso do mapará, eles atacam os peixes em direção aos borqueios?

O “serviço” dos botos tem que ser “pago” com uma cota de mapará para sua alimentação.

 

O desenvolvimento de técnicas de pescar “mais avançadas”, como a malhadeira, o puçá, tem proporcionado maior facilidade para capturar o peixe. Juntamente com a intensificação e diversificação da pesca, deparamos com os problemas educacionais, ou seja, a falta de uma consciência ecológica de preservação.
Destaca-se, no entanto, a feliz iniciativa de localidades como Paruru de Joana Coeli e Saraca que partiram para a prática de um programa de preservação com resultados positivos, que aos poucos podem ser tomados como referência para as demais localidades da Bacia Tocantina produtora deste tão gostoso mapará.
Receitas do delicioso Mapará – veja em Delícias Regionais

www.conhecendobrasil.com.br/mapara-delicioso

 

Como chegar e onde ficar

 

Efetivamente, este é um programa para os “aventureiros de plantão”, devido as dificuldades de acesso ao local frente aos deslocamentos.

 

Apresentamos duas sugestões para se chegar a Cametá:

 

Voos de qualquer parte do Brasil, para Belém ou Marabá.

De Belém para Cametá são 654 km de estradas, algumas em bom estado, outras nem tanto.

De Marabá para Cametá são 483 km, de estradas ruins, algumas esburacadas e parte da Transamazônica.

Ideal veículos com tração 4×4 ou com suspensão reforçada.

 

Em Cametá, três opções para hospedagem, todas simples, sem muito luxo, mas com boa receptividade.

 

Pousada Miriti Tv. Marques de Pombal, 2

 

Hotel São Juan – Rua Treze de Maio, 236-318 – (9!) 3781-2123

 

Hotel Cametá Pálace – Av. Cônego Siqueira, 196-266 – (91) 99245-5554

 

 

 

 

 

 

Autor: Levy

Compartilhe este artigo no

2 comentário

  1. Excellent post. I was checking continuously this blog and I’m impressed! Very useful info particularly the last part ecdbcaddagddccab

    Responder
    • Obrigado, este é nosso objetivo, mostrando o que temos de melhor em nosso país.

      Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *