Danças Típicas e Suas Regiões 1

A dança é uma das melhores expressões culturais existentes porque envolve o movimento, o canto e a dramatização. É a necessidade de se expressar que leva o homem a utilizar as artes e transformá-la em um símbolo de seu povo ou sua cidade. No Brasil, as principais danças típicas têm forte ligação com a religiosidade, as comidas típicas de uma região, a cultura de um povo e os fatores históricos. São ritmos alegres com roupas e cenários populares de cada região. A verdadeira dança típica é aquela que demonstra o melhor e o mais importante de uma localidade.

 

As tradições e cultura de uma região brasileira estão mergulhadas no folclore, sejam elas de cunho religioso, baseadas em lendas ou na história, homenagens a importantes acontecimentos ou brincadeiras populares. As danças folclóricas são uma das principais formas de manifestação cultural, com músicas animadas e simples, além dos trajes típicos para executá-las em espaços públicos.

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Devido à grande diversidade de nossos folclores, este Artigo será dividido em capítulos.

 

Estaremos apresentando essas danças por Região, mostrando detalhes muito pouco conhecidos. Estando em viagem, a negócio ou passeio, não deixe de apreciar esta manifestação cultural.

 

Região Norte

 

Amazonas

 

Camaleão

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Essa dança utiliza pares separados, que fazem uma coreografia com passos distintos, chamados de jornadas. São duas fileiras de mulheres e homens, realizando diversos passos, os quais terminam no passo inicial. As roupas também são importantes; os homens usam fraque de abas, colete, meias longas, gravata e sapato preto. Já para as mulheres, a vestimenta é composta por saias longas, meias brancas, sapatos e blusas folgadas. A música que embala os dançarinos utiliza o violão, cavaquinho e rabeca.

 

Dança do Maçarico

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Apresentada em grupos de casais, seus versos são cantados pelos próprios dançantes, geralmente puxados pelas mulheres. Tendo como referência o cadenciar da música, a coreografia segue exatamente o que diz a letra no momento do coro; os passos variam de pequenos saltos a passadas que acontecem de forma acelerada, composta, ainda, por movimentos de danças portuguesas.

Os instrumentos musicais e as vestimentas utilizadas nessa dança são semelhantes a muitas outras práticas culturais do estado do Pará e da região Norte do Brasil, como, por exemplo, o Carimbó. Variando muito, o figurino parece não seguir uma regra geral, o que se vê são saias e blusas bem coloridas dando leveza e movimento ao sacolejar das roupas, bem ao estilo nortista ritmado pelos tambores, xique-xiques, rabecas, violões, entre outros instrumentos. Ainda que a beleza do figurino seja relevante para as apresentações, o mais importante é que as roupas garantam a leveza, a rapidez exigida pelos movimentos e passos da dança, afirmando, assim, a semelhança com a ave maçarico.

 

Desfeiteira

3 Desfeiteira

Essa dança é constituída de pares que dançam de forma livre e os dançarinos devem apenas passar pelo menos uma vez na frente do grupo musical. Caso a banda encerre a música no momento em que um casal estiver passando, é feita a escolha do homem ou da mulher para que declame versos. Caso ele não consiga esse feito, a pessoa será vaiada e terá que pagar uma prenda, ou seja, será “desfeitado”.

 

Pará

 

Carimbó

4 Carimbó

Nas apresentações do carimbó os homens vestem blusas lisas ou mesmo estampadas, acompanhadas de calças sem estampas; eles não esquecem do lenço adornando o pescoço, do chapéu de arumã, e os pés ficam nus. As mulheres, por sua vez, trajam blusas que liberam os ombros e a barriga, para que fiquem visíveis, usam inúmeros colares e pulseiras confeccionadas com sementes que florescem na região paraense, sobre saias amplas ou franzidas, repletas de cores e estampas. Arranjos florais são dispostos sobre as cabeças, e elas igualmente dispensam sapatos.

A coreografia principia com os casais posicionados em filas, e então o homem acerca-se de sua companheira batendo palmas, sinal para que ela se considere convidada para dançar. Elas cedem e dão início a um volteio circular, constituindo simultaneamente um amplo círculo, movendo as saias, com a intenção de arrojá-las sobre a cabeça de seu parceiro.

 

Marambiré

5 Marambiré

Essa dança é considerada uma representante da alegria dos negros no Brasil após a Abolição da Escravidão. Ela é caracterizada por uma marcha que mescla a religião e o profano. Ela é realizada por duplas e sempre aparece durante os festivais no estado.

 

Lundu Marajoara

6 Lundu Marajoara

Tem origem africana e é muito sensual, pois a intenção dela é mostrar o convite do homem para ter um encontro sexual com a mulher. Primeiro, há uma recusa; porém, ele insiste e ela aceita. A Lundu Marajoara mostra o ato com o passo da umbigada, quando acontecem movimentos de dança mais sensuais. As mulheres utilizam saias coloridas e blusas rendadas. Já os homens vestem calças de preferência na cor branca. Essa dança também recebe a ajuda de instrumentos como o banjo, cavaquinho e clarinete.

 

Marujada

7 Marujada

A marujada, também conhecida como fandango, é um folguedo típico das regiões Nordeste e Norte do Brasil. A marujada é considerada uma importante representação cultural, de caráter popular, do folclore brasileiro. Participam, deste folguedo, homens (geralmente com os instrumentos musicais), mulheres (geralmente nas danças e encenações) e também crianças (nas encenações).

Marujada traja saia vermelha, bem rodada, blusa de cambraia branca bordada e, sobre esta, uma faixa larga de fita vermelha de gorgorão, com uma grande rosa do mesmo material. A parte mais vistosa é o chapéu. Este é de palha, forrado de tecido branco, com uma espécie de armação de arame onde ficam as flores feitas de penas de pato, brancas.

 

 

Região Nordeste

 

Bahia

 

Maculelê

8 Maculelê

O Maculelê é uma dança, um jogo de bastões remanescente dos antigos índios cucumbis. Esta “dança de porrete” tem origem Afro-indígena, pois foi trazida pelos negros da África para o Brasil e aí foi misturada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam.

Sua origem é desconhecida. Uns dizem que é africana, outros afirmam que ela tenha vindo dos índios brasileiros e há até quem diga que é uma mistura dos dois. O próprio Mestre Popó do Maculelê, considerado o pai do maculelê, deixa clara a sua opinião de que o maculelê é uma invenção dos escravos no Brasil, assim como a capoeira.

Os instrumentos utilizados são os atabaques, pandeiros e violas

 

Piauí

 

Reisado

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O Reisado chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses, que ainda conservam a tradição em suas pequenas aldeias, celebrando o nascimento do Menino Jesus. Em Portugal é conhecido como Reisada ou Reseiro.

O Reisado é formado por um grupo de músicos, cantores e dançarinos que percorrem as ruas das cidades e até propriedades rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias, pedindo prendas e fazendo louvações aos donos das casas por onde passam.

Ela é acompanhada de instrumentos como o violão, sanfona, banjos.

 

Cavalo Piancó

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É realizada com casais que ficam em círculos para imitar o trote do cavalo. São diversos passos que alternam a velocidade entre moderado e rápido. Como as músicas podem ser improvisadas, a coreografia pode ser alterada por isso.

 

Ceará

 

Torém

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Dança de conjunto com participantes de ambos os sexos que se colocam em formação circular, com um solista ao centro. É dança ritual da tradição indígena, cujos participantes imitam animais – como o salto da tainha, as brigas dos guaxinins, o canto da jandaia, o bote da cobra caiana. Tocando o Aguaim – espécie de maracá -, o solista executa movimentos de recuo e avanço, requebros, sapateios, saltos, além daqueles imitativos de serpente e lagarto, reveladores de destreza e plasticidade.

 

Caninha Verde

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A Caninha Verde chegou ao Ceará pela praia de Aracati trazida pelo português João Francisco Simões de Albuquerque por volta de 1919.  Observando esta mesma manifestação em outros estados brasileiros, percebe-se que nesta terra cearense ela se aclimatou recebendo outras características, apesar de manter com fidelidade seus traços ibéricos nos aspectos musicais, coreográficos e no figurino. Permanece até hoje sendo dançada, brincada pelos pescadores das

praias do Mucuripe e Iguape nas festas sociais da comunidade apesar de no início ter sido um cordão carnavalesco.

A coreografia é formada com duas rodas, uma de homens, outra de mulheres, que cantam e dançam em sentido contrário e, sem se tocarem, trocam de lugar, formando novos pares.

 

Coco

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Dança típica das regiões praieiras é conhecida em todo o Norte e Nordeste brasileiros. Alguns pesquisadores, no entanto, afirmam que ela nasceu nos engenhos, vindo depois para o litoral. A maioria dos folcloristas concorda, no entanto, que o coco teve origem no canto dos tiradores de coco, e que só depois se transformou em ritmo dançado. Há controvérsias, também, sobre qual o estado nordestino onde teria surgido, ficando Alagoas, Paraíba e Pernambuco como os prováveis donos do folguedo. O coco, de maneira geral, apresenta uma coreografia básica: os participantes formam filas ou rodas onde executam o sapateado característico, respondem o coco, trocam umbigadas entre si e com os pares vizinhos e batem palmas marcando o ritmo.

 

Maneiro-Pau

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Essa dança surgiu no interior do Ceará, provavelmente por influência dos cangaceiros. Os dançarinos portam pedaços de madeira que são batidos no chão seguindo o ritmo das músicas que são cantadas pelos participantes.

Este folguedo surgiu na época do cangaço, na região do Cariri. Quanto à origem, alguns autores justificam a influência árabe e outros a influência africana.

 

Maranhão

 

Bambaê de Caixa

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É uma dança de roda com acompanhamento de instrumentos de percussão, tendo ao centro um ou

dois pares de brincantes. A dança apresenta coreografia complexa com reviravoltas bruscas que

exigem grande agilidade dos componentes da brincadeira. Os integrantes da roda dançam com

passos rápidos e variados com os casais dançando, ora frente a frente, ora de costas, num ritmo

alegre e contagiante.

O bambaê de caixa é muito presente nos municípios da Baixada Ocidental Maranhense,

sobretudo São Bento e Cajapió.

 

Cacuriá

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Uma das manifestações mais populares na cultura maranhense que tem seu ápice no período junino. A dança teve início no interior do estado, vista como profana, e encerrava à Festa do Divino. Oriundo da cidade de Guimarães, no Maranhão, foi para capital e passou a acompanhar o bumba-meu-boi nas festas juninas e festivais culturais.

Durante os movimentos cada dupla faz parte da composição do círculo, denominado “cordão”. No acompanhamento há instrumento de percussão conhecido como “Caixas do Divino”.

 

Tambor de Criola

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O tambor de crioula é uma dança afro-brasileira praticada sobre tudo por descendentes de africanos. A principal característica coreográfica da dança é a formação de um círculo com solistas dançando alternadamente no centro. Um de seus traços distintivos é a Punga ou Pungada, (a umbigada).

A música que acompanha a dança é tocada por três tambores de madeira com couro preso por cravelhas em uma das extremidades e fixados por fricção. Os tambores são afunilados e escavados. Atualmente utilizam-se também tambores de cano plástico PVC.

 

Dança do Caroço

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Brincadeira que enriquece a nossa cultura é a Dança do Caroço. Tendo como instrumentos as caixas, cuíca e a cabaça. São executados por brincantes de qualquer idade e sexo. As roupas São bem coloridas e as toadas improvisadas. Atualmente, a dança é mais conhecida na cidade de Tutóia, dentro dos Lençóis Maranhenses, a 272 km de São Luís. Uma figura importante na Dança, é a “Rainha do Caroço”, geralmente considerada a melhor cantora ou dançarina.

 

Pernambuco

 

Cavalo Marinho

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É um folguedo folclórico tradicional da zona da mata de Pernambuco. Apesar de ser uma variação do bumba-meu-boi, a brincadeira tem características próprias e além do “auto do boi”, podem ser vistos diversos personagens fantásticos do interior do estado.

O folguedo mistura música, canto (toadas), dança e poesia (loas). A encenação é acompanhada por instrumentos musicais como a rabeca, o pandeiro o reco-reco e o ganzá, que são tocados pelo “banco” (nome dado ao grupo de músicas que toca sentado num banco). A brincadeira acontece numa roda fixa, onde o público – em geral formado apenas por homens – pode interagir.

 

Caboclinhos

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É uma mistura de danças e músicas com raízes indígenas.
Homens, mulheres e crianças apresentam coreografias com ritmo marcado pelo estalido das preacas (espécie de arco e flecha de madeira).

A dança representa batalhas, colheitas e caçadas. Os mesmos se vestem com penas, plumas e paetês.
Expressa um forte sentimento nativista. A música, leve e ligeira, é executada por pífanos, surdos e maracás, com reco-recos e ganzás.

 

Maracatu Rural

21 Maracatu Rural

O Maracatu Rural, tradição do interior de Pernambuco, é uma manifestação cultural popular que ocorre durante o Carnaval e a Páscoa. Em 2014, a festa foi tombada como patrimônio imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Também conhecido como Maracatu de Baque Solto, de Orquestra, de Trombone ou de Baque Singelo, o Maracatu Rural é composto por dança, música, poesia e está associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata, mas também tem apresentações na Região Metropolitana do Recife.

 

Mamulengo

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Influenciada pela religião católica e pelos costumes europeus, essa dança buscava representar os personagens do presépio. Utiliza bonecos vazios por dentro sem a utilização de cordas, como acontece nos bonecos mais comuns. Como ele é movimentado com a mão recebeu o nome de mamulengo.

 

Frevo

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É um ritmo musical e uma dança brasileira com origem no estado de Pernambuco. Sua música baseia-se na fusão de gêneros como marcha, maxixe, dobrado e polca, e sua dança foi influenciada pela capoeira. Foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO no ano de 2012.

É dançado ao som de trombones, pandeiros e saxofones. Utiliza roupas específicas, geralmente uma roupa usada no dia a dia, uma camiseta curta, justa ou amarrada na altura da cintura, calça de algodão colado no corpo, sendo uma vestimenta colorida e marcante. Nas mulheres, podem ser usados shorts ou minissaias. Outros itens como sombrinha (tradição e símbolo da dança, anteriormente servia para se proteger do sol ou como arma) e bandeiras (chamadas de estandartes, são os emblemas das equipes relacionada ao grupo de frevo).

 

Rio Grande do Norte

 

Espontão

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Dança de conjunto realizada por homens, geralmente negros, cada um deles trazendo uma pequena lança com a qual desenvolvem uma coreografia que simula guerra. O chefe, denominado “Capitão da lança”, é o que leva a lança grande. Percorrem as ruas ao som de tambores marciais; nas casas que visitam dançam agitando a lança e os espontões, meia-lança usada pelos sargentos de infantaria no século 18, realizando saltos de ataque, recuos de defesa, acenos guerreiros, em improvisação que revela grande destreza nos movimentos. Não há cânticos, mas acompanhamento rítmico produzido pelos tambores marciais. Ocorre durante os festejos devidos a Nossa Senhora do Rosário, no Estado.

 

Autor: Levy

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