Chapada Diamantina

A Chapada Diamantina compõe a unidade geológica conhecida como a serra do espinhaço, apresentando-se em geral como um altiplano extenso, com altitude média entre 800 e 1.200m acima do nível do mar. A serra da Chapada abrange uma área aproximada de 38.000 km², representando 7% da área total do Estado da Bahia, e é a divisora de águas entre a bacia do rio São Francisco e os rios que deságuam diretamente no oceano atlântico, como o rio de Contas e o Paraguaçu.

 

Formação geológica

A Chapada é tão antiga geologicamente que existem rochas com idade superior a 3 bilhões de anos. O fenômeno geológico que deu formato atual da Chapada chama-se distensão tectônica ocasionadas na criação do Rift Valley, que separou a Gondwana (parte sul da Pageia, 1º grande massa continental conhecida) em Antártida, América do Sul, África, Índia, Madagascar, Nova Guiné, Nova Zelândia, Austrália, Seyclelles, Nova Caledônia.

 

A Chapada é uma região de serras, situada no centro da Bahia, onde nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. Essas correntes de águas brotam nos cumes e deslizam pelo relevo em belos regatos, despencam em borbulhantes cachoeiras e formam transparentes piscinas naturais.

Mapa e localização

 

A vegetação é exuberante, composta de espécies da caatinga semiárida e da flora serrana, com destaque para as bromélias, orquídeas e sempre-vivas.

 

Histórico da Chapada Diamantina

De acordo com FUNCH (2002), a história da ocupação humana na região da Chapada Diamantina se deu com a exploração do ouro e do diamante. No início do século XVIII foi descoberto ouro na cidade de Jacobina, no norte da chapada. Inicialmente a exploração do ouro foi clandestina, mas a partir de 1720 foi finalmente liberada na região de Jacobina. Depois de quatro anos foi liberada a exploração na região sul da chapada, onde hoje está situada a cidade de Livramento de Nossa Sra. A exploração do ouro na Bahia se deu por mais dois séculos, já que no século XX elas começaram a se esgotar.

 

Já a exploração do diamante teve seu início por volta de 1730, mas foi feita de maneira ilegal e clandestina até 1832, quando foi liberada. Nesse meio tempo foram descobertas jazidas e o caráter diamantífero da região foi reconhecido. Em 1844 um comerciante que viajava pelas vilas da região reconheceu o cascalho que sempre via na chapada velha quando andava na região de Mucugê.

 

Diamantes

 

O Parque Nacional da Chapada Diamantina abrange uma área de 152.575 ha e está situado na Serra do Sincorá, que faz parte da Cadeia do Espinhaço. Ele fica no centro do estado da Bahia e abrange 5 municípios: Lençóis, Palmeiras, Andaraí, Mucugê e Ibicoara e sua sede fica na cidade de Palmeiras.

 

A cidade de Lençóis, na região norte do parque nacional, é a que mais recebe turistas já que possui melhor infraestrutura para atender os turistas e fica a 420 km de Salvador. Seus casarões históricos foram transformados em pousadas, restaurantes, agencias e outros serviços. Alguns passeios e treks tem Lençóis como base, como Marimbus, Fumaça por baixo, Mixila, Cachoeira dos Mosquitos, Serra das Paridas, Rio Mucugezinho e outros.

Lençóis

Cidade de Lençóis

 As cidades de Palmeiras e Vale do Capão, também ao norte do parque, contam com estrutura hoteleira, restaurantes, agências de turismo, principalmente o Vale do Capão. Ele é uma das entradas para o Vale do Paty, Cachoeira da Fumaça e Águas Claras. De Palmeiras podemos visitar o Morro do Pai Inácio, Morro do Camelo, Campos de São João e outros.

Palmeiras

Palmeiras

Vale-do-capao

Vale do Capão

Na região central do parque tem as cidades de Andaraí, a 450 metros de altitude e Mucugê, a 1.000 metros de altitude. São muito próximas (40 km pela estrada), mas com o desnível grande o clima entre elas é muito diferente.

 

Andaraí é uma das portas para o paraíso do Vale do Paty, trek mais famoso da chapada, além de ter a bela Cachoeira do Ramalho. A cidade não conta com muita estrutura turística, sendo carente de restaurantes sofisticados por exemplo.

Andaraí

 

Mucugê é o município com maior área dentro do parque nacional, com alguns atrativos como o Cemitério Bizantino, o Projeto Sempre Viva, as cachoeiras do Cardoso, Andorinhas, Três Barras e Cristais. A cidade conta com boas pousadas e restaurantes para acolher os viajantes.

Mucuge

 

Entre essas duas cidades tem a vila de Igatú, famosa por suas ruínas e por ser bucólica, encravada na serra, tendo somente 384 habitantes. Pousadas charmosas e bons restaurantes a transformam no lugar ideal para aqueles que querem pouco movimento e uma vida pacata.

O clima é tropical semiúmido, embora em algumas regiões predomine o semiárido. A altitude varia, já que o parque é uma região de montanhas. Portanto, para entrar no parque é necessário subir a serra, já que as cidades estão abaixo destas. A média é de 1.000 metros de altitude, mas os lugares mais baixos estão a 440 metros e os mais altos a aproximadamente 1.600 metros de altitude. Fora do Parque, a oeste, está o pico mais alto do nordeste brasileiro, o Pico do Barbado, com 2030 metros de altitude.

 

Marimbus/Iraquara

Localizada no centro do estado da Bahia, a APA ocupa terras dos municípios de Lençóis, Andaraí, Palmeiras, Iraquara e Seabra, totalizando uma área de 125.400 ha.

marimbus

Marimbus

 

Marimbus_Iraquara

Marimbus – Iaraquara

 

Atributos Naturais
A APA engloba ecossistemas variados, merecendo destaque: os marimbus, espécies de pântanos para onde drena boa parte das águas da Chapada; os “gerais” campos rupestres de altitude; o cerrado; a caatinga, predominante nas áreas de ocorrências das cavernas calcárias de Iraquara, e as florestas estacionais que abrigam, dentre outras, a sucupira, a massaranduba, a oiti e o pau d’arco.
A fauna é abundante devido a diversidade de ambiente, embora se registre algumas espécies ameaçadas de extinção, como o macaco barbado, e endêmicas, como é o caso do beija-flor-de gravatinha-vermelha.

 

Aspectos Relevantes
A cidade de Lençóis
O Morro do Pai Inácio e Morro do Camelo
O Pantanal dos Marimbus
A Gruta da Lapa Doce e Torrinha
É muito vasto o folclore, sobretudo, conhecimento ou crenças populares expressas em provérbios, em danças dramáticas, nos cantos, ou nas canções populares de uma época ou de uma região. Em algumas localidades, a lamentação das Almas é um costume bem antigo, assim como a Festa do Divino Espírito Santo, o Reisado, os Presépios, Queimadas de Judas, Bumba-meu-boi, Pau-de-sebo, além de outras tradições e costumes.

 

O Parque Municipal de Mucugê foi criado em 17 de maio de 1999 para abrigar o Projeto Sempre Viva, que tem como objetivo a preservação de ecossistemas de domínio rupestre. Em especial, de uma variedade de sempre-viva endêmica de Mucugê, que se encontrava ameaçada de extinção.

 

Dispõe também de um sistema de informações geográficas e promove educação ambiental para escolas de todo Brasil. Por suas ações, este projeto acumula vários títulos e prêmios. Em 2006, o município de Mucugê recebeu do Instituto da Biosfera e do Instituto IBRAE-RJ o título de destaque Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

 

Com uma arquitetura inspirada nas casas dos garimpeiros, o Parque possui uma ótima infraestrutura, com laboratório, escritório, centro de visitantes, estacionamento, alojamentos para pesquisadores e o Museu Vivo do Garimpo.

 

Responsabilidade do viajante

O viajante tem a responsabilidade moral de avaliar o comportamento do seu guia em relação a todos os cuidados que envolvem a condução de visitantes, como cuidados com o meio ambiente, com os viajantes e com tudo que envolve a higiene em um ambiente natural. Caso ele veja algum comportamento inadequado do guia ele deve chamar a atenção do mesmo e fazer reclamação junto ás autoridades competentes.

 

Fauna

A caça é, assim como o fogo, um dos piores inimigos dos animais da região. Ainda hoje há caça ocorrendo nas áreas do parque e a falta de fiscalização ameaça a fauna. Hoje os relatos de grupos que veem animais de grande porte não são frequentes. Os animais mais frequentes são: cobras, lagartos, gafanhotos, grilos, mocós (roedor), ouriços, saguis, morcegos, tatus e uma grande variedade de aves.

 

Para se conhecer a Chapada Diamantina em sua exuberância é ideal traçar diversificado roteiro da Chapada Diamantina, através do qual se pode visitar os principais atrativos do Parque Nacional e seu entorno: cachoeiras, cavernas, cânions, montanhas, cidades históricas integrantes dos ciclos do Diamante e do Ouro, além de atividades do turismo de aventura, para iniciantes e praticantes.

 

Flora

Mosaico que inclui caatinga com grande diversidade (abaixo de 1.000 m de altitude), cerrado, campos rupestres, e diferentes tipos de mata, da mais seca a mais úmida.

bromélia 2

Bromélia

 

Cacto 2

Cactus

Acima de 1.000 m de altitude, onde existem mais afloramentos rochosos, predominam os campos rupestres (ligados a quartzitos); onde o solo é mais arenoso, predomina o cerrado (solo podzólico). As matas, predominantes nas encostas, são mais ligadas a granitos e gnaisse, e tornam-se mais úmidas à medida em que a altitude aumenta. As matas de caatinga são do tipo floresta estacional caducifólia, com muitas árvores espinhosas, especialmente dos gêneros Acácia e Mimosa, e abundância de Cactácea e Bromeliácea. Algumas espécies são marcantes na fisionomia da vegetação, como o umbuzeiro e o juazeiro. Porém, existe uma diversidade muito grande na flora, e muitos gêneros e espécies endêmicos.

A caatinga ocupa grande extensão da ecorregião, em altitudes de até 1.000 m, onde se entremeia com os cerrados de altitude. A caatinga também predomina para o norte, nos vales do rio de Furnas, rio de Contas e rio Paraguaçu, assim como na parte mais a oeste das serras, onde a altura cria uma barreira impedindo a passagem das chuvas.

Sempre-vivas

 

Sempre-vivas 2

 

As Sempre Vivas são assim chamadas porque suas flores mantêm, mesmo após destacadas da planta, a mesma aparência que tinham antes. A espécie Sempre-Viva-de-Mucugê só ocorre no interior do Parque e está ameaçada de extinção, segundo Ministério do Meio Ambiente. Portanto sua coleta e comercio são ilegais.

 

Proposta para um passeio perfeito na Chapada

Lençóis dispõe de diversas agências de receptivo locais, bem como guias devidamente credenciados, o roteiro abaixo é apenas uma sugestão.

 

1º DIA

Chegada a Salvador e deslocamento de carro ou aéreo para Lençóis. Se chegar pela manhã, aproveite a tarde para visitar o Morro do Pai Inácio, para admirar a vista panorâmica e contemplar o entardecer, sendo considerado o cartão-postal da Chapada Diamantina, localizando-se numa posição bem central da Chapada, o que permite uma vista panorâmica de grande parte das elevações mais imponentes da região, como as serras da Bacia, Mucugezinho, Sobradinho e os belos morros do Camelo e Morrão.

Morro do Pai Inácio

Morro do Pai Inácio

Morro do Camelo

Morro do Camelo

 

2º DIA

Após Café da Manhã, o roteiro se inicia com veículo, em percurso de 20 km, a partir da cidade de Lençóis, com destino ao Rio Mucugezinho. Caminhada de 20 min. pelas margens do rio. Em seu leito, de pedras desalinhadas, forma várias cachoeiras e saltos, sendo o maior deles a Cachoeira do Diabo, 22 metros de queda, e um lago muito agradável para banho.

As pedras desalinhadas formam tobogãs, crateras e várias quedas d’água. No local é também possível a prática de esportes como o rapel e a tirolesa.

Ainda de veículo, o roteiro segue para a Gruta da Lapa Doce, 70 km da cidade de Lençóis, no município de Iraquara, de formação calcária e com aproximadamente 850 m de extensão. Na área aberta à visitação, podem ser observados espeleotemas, colunas, estalactites e estalagmites, de fascinante beleza. A partir da Lapa Doce, percorridos 6 km de veículo, em estrada de chão, chega-se à Gruta da Pratinha, caverna escavada caprichosamente pelo Rio Pratinha, cujas águas são de um tom azul transparente, refletindo um brilho de prata, proveniente do fundo da gruta, encoberta de pequenas conchas claras e rica em calcário e magnésio. Nas águas, vivem cerca de dez espécies de peixes que podem ser vistos a olho nu.

A Gruta da Pratinha propicia a prática de esportes como espeleomergulho, tirolesa, flutuação e caiaque. Local também muito agradável para o banho. Retorno a Lençóis. Distância total percorrida em caminhadas: 5 km

Gruta da Pratinha

 

3º DIA

Trilha de 6 km, um pouco puxada no início, mas o restante do percurso é uma região plana e tranquila, em trilha repleta de flores e paisagens de vale, até se chegar ao topo da magnífica Cachoeira da Fumaça, que se encontra a 1.490m acima do nível do mar e de onde o turista pode deslumbrar-se com a queda livre de uma coluna de água despencando de 340m de altura, formando belíssimos arco-íris e como que tentando retornar para o alto em forma de fumaça.

Voltando dessa cachoeira, uma parada para banho na Cachoeira do Riachinho, com 20m de altura, caindo num grande poço, refrescante e imperdível. Trilha média. Distância total percorrida em caminhadas: 11 km.

cachoeira-da-fumaca

 

4º DIA

Durante o percurso, caminhada pelos Gerais do Vieira e do Rio Preto, para avistar o Vale do Pati, considerado um dos mais belos do Brasil. Chegada ao Beco do Guiné, na Serra do Sincorá. Ao término, retorno ao Hotel. Distância total percorrida em caminhadas: 18 km.

 

5º DIA

O passeio oferece um belo visual da cachoeira por cima; por baixo, no poço, um banho com gosto de aventura. Com 80 metros de queda livre, em forma circular, num cânion sinuoso. O passeio é feito inicialmente de carro até o município de Ibicoara, e mais 6 km de trilha bastante tranquila, beirando o Rio Espalhado. Após banho e lanche, segue-se para Mucugê, cidade onde é possível vivenciar uma volta ao passado, num tour a pé, de aproximadamente 40 minutos, pelo conjunto arquitetônico colonial de grande beleza, além do Cemitério de Santa Isabel, em Estilo Bizantino, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Distância total percorrida em caminhadas: 6 km.

 

6º DIA

Parte-se de automóvel ou triciclo para trilha que dá acesso à Cachoeira da Fumaça.
Lanche e contemplação dessa cachoeira, por cima ou por baixo. Logo após, saída para a Vila de Igatu, cidade de pedra localizada no município de Andaraí.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Igatu oferece uma paisagem de infinita beleza, vales profundos, chapadões, o verde misturado ao cinza, marrom e rosa da secura do sertão. Chegando a Igatu, o passeio feito a pé pelas ruas e casarios que levam às ruínas da Cidade de Pedras e ao Museu de Arte e Memória, onde registros de tempos remotos contrastam com a simplicidade atual de suas ruas e casarios, com a opulência do tempo do Garimpo de Diamantes.

Distância total percorrida em caminhadas: 10 a 16 km, a depender da trilha escolhida.

 

7º DIA

Saída para visita ao Poço Encantado, localizado no município de Itaete, em roteiro feito de carro.

A caverna tem formações rochosas de estalactites e estalagmites e, ao fundo, possui um belíssimo poço de águas cristalinas, alimentado por lençol freático. Como ocorre no Poço Azul, no período de abril a setembro, a posição do Sol com relação à Terra, faz com que a incidência dos raios solares nas águas do poço provoque um belíssimo efeito, tornando suas Águas Azuis num tom completamente transparente.

No Poço Azul é permitido o banho e flutuação. Onde encontram-se esqueletos completos de preguiças gigantes, datados em 10 milhões de anos. Distância total percorrida em caminhadas: 1 km.

Poço-Azul

8º DIA

Se preferir curtir um pouco mais o Hotel, aproveite. Ou programe o retorno a Salvador rumo a casa.

São muitos e variados os Hotéis e Pousadas em Lençóis. Portanto, consulte um site e escolha um de sua conveniência, avaliando preço e suas instalações.

 

Autor: Levy

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